Bahia Notícias Entrevista João Roma

Resultado de imagem para joão roma prb
O chefe do Gabinete do Prefeito ACM Neto, João Roma (PRB), reforçou que todas as movimentações políticas caminham para sua candidatura a deputado federal em 2018. A confirmação oficial não se dá por mera formalidade, já que a legislação eleitoral determina que os candidatos só podem ser lançados depois das convenções partidárias. Por outro lado, o pernambucano herdeiro do Padre Roma, um dos líderes da Revolução de 1817, confia na população baiana para elegê-lo ao Congresso, independentemente da sua naturalidade. "Pode parecer paradoxo, mas às vezes me sinto até muito mais baiano do que muito baiano de nascença", adiantou Roma. Na entrevista desta semana ao Bahia Notícias, o ex-Democratas detalha sua relação com a Bahia e com os ACMs - o avô e o Neto. "Quando por outra coincidência vim morar na Bahia, passei a, já que tem essa ligação político-partidária com ACM Neto, passei a ter um estreito relacionamento. Ele estava iniciando o mandato dele, tinha 23 anos, em Brasília. Eu já conhecia bem Brasília, (...) Desde 1995 já morava em Brasília, conhecia essa movimentação. Então passei a acompanhar desde o início da sua trajetória e nos aproximamos muito, sobretudo por causa dessas discussões todas, trocamos ideia, e as conversas eram muito fluidas. Inclusive também com o próprio senador Antônio Carlos Magalhães, que sempre deu muita atenção aos jovens", lembrou. João Roma ainda comentou a polêmica envolvendo o ex-pugilista Reginaldo Holyfield, nomeado para o cargo de gestor de projetos da prefeitura, e saudou a boa relação que possui com o vice-prefeito Bruno Reis (PMDB). "Bruno é sem dúvida a pessoa que talvez mais conheça Salvador do ponto de vista geopolítico, então tem visão muito precisa das ruas. Tem sido um somatório essencial. Sem dúvida ACM Neto tem agora no segundo mandato um gabinete muito mais forte, porque de fato a vice-prefeita não colaborava muito no dia a dia das ações, não tinha proximidade conosco. Já Bruno tem total, relação de amizade e profissional", acrescentou. Confira abaixo a entrevista completa.


Estamos em julho de 2017, porém outubro de 2018 já movimenta a política local. Você já se declarou candidato a deputado federal e o prefeito ACM Neto já caminha no mesmo sentido pra ser candidato a governador. Não atrapalha a gestão de Salvador essa precocidade da discussão?
Roma: Primeiro, eu não me declarei candidato a deputado federal. Eu reafirmei que há interesse e que a movimentação segue nesse sentido. Até porque, de acordo com a legislação, só após as convenções de 2018 é que efetivamente você tem uma candidatura na rua. Acho que não, a política é uma coisa muito positiva, muitas vezes a sociedade condena, sobretudo pelo ato de alguns políticos que denigrem a atividade da política, que é muito nobre ao meu ver e que, na verdade, trata do interesse público. Sem a política, nós teríamos balbúrdia, guerra ou assuntos intransponíveis. A política justamente é buscar o diálogo e resolver sobretudo os problemas da população. O prefeito ACM Neto acho que é um dos principais nomes realmente para a disputa do próximo ano. Por onde se anda, não só em Salvador, mas por todos os municípios, se observa que há quase um apelo, clamor, de várias pessoas que enxergam em Salvador uma certa dinâmica e gostariam disso também nas suas cidades e diversos locais da Bahia por onde nós andamos. Mas voltando, acho que ter a sintonia e essa movimentação política não atrapalha de forma alguma a gestão, uma vez que o prefeito e sua equipe são fruto de processo eleitoral. Ele sempre soube deixar em separado assuntos técnicos e administrativos de assuntos políticos. Mas acho que a política, sim; manter o diálogo, sim, essa relação presente com seus aliados só fortalece e incrementa. Inclusive motiva os gestores a fazer mais. Acho que esse é o sentimento que a gente percebe em maior valia na administração municipal. Portanto acho que ter vocação política, participar de processos políticos, começar conversações e entendimentos sobre o processo eleitoral 2018 é natural. Isso ocorre em vários âmbitos da administração, tanto municipal, quanto estadual, quanto federal, em diversos estados e municípios do Brasil. Acho, pelo contrário, muito salutar, porque no ano que vem… O prefeito ACM Neto sempre diz que será com as eleições 2018 que o Brasil vai retomar sua normalidade institucional, que a gente vai passar a ter momento de mais serenidade e fortalecimento das instituições, uma vez que é hoje fica-se rusgas, todas as operações e movimentos, retirada de presidente. Vivemos um momento muito turvo na vida, na solidez institucional do Brasil. Isso reflete na economia, em diversas áreas. Na visão do prefeito, só após as eleições 2018 esse clima de mais confiança estará consolidado. Acho inclusive que é até missão de qualquer agente público no Brasil conversar sobre o processo eleitoral de 2018, inclusive fazer suas movimentações e contatos, se reunir em outros âmbitos partidários associativos, diversas categorias representadas por diversos personagens que atuamos. Faz parte sobretudo do meu dia a dia no gabinete, onde recebo vereadores, lideranças, suplentes, pessoas que fazem parte do dia a dia de Salvador, têm pleitos. Tudo isso exerce muito jogo de cintura e habilidade política pra tentar harmonizar essas respostas pra sociedade, com que isso se adeque dentro de uma estratégia de gestão para atingir as metas do planejamento estratégico, para realmente a cidade conseguir alcançar o patamar que o prefeito ACM Neto projetou. Requer também habilidade para tratar com diferentes pontos de vista da Câmara Municipal de Salvador, para que a gente possa estabelecer um convívio harmônico entre as instituições e possa atingir os avanços que a administração de Salvador necessita.

Você se tornou uma figura de bastidores do DEM. Tem acompanhado a discussão nacional sobre essa articulação que pode colocar Rodrigo Maia na Presidência do Brasil?

Roma: Eu não vejo da parte do Democratas uma movimentação nesse sentido, até porque eu imagino que, caso Rodrigo Maia se movimentasse nesse sentido, sobretudo há um mês ou 15 dias, talvez o cenário hoje fosse outro. O presidente passou por momentos com comunicação muito conturbada. Foram impactantes os fatos trazidos à tona, então se o presidente Rodrigo Maia tivesse buscado esse caminho de articular uma base forte, hoje, sem dúvida, seria a pessoa mais forte do Parlamento brasileiro. Ele tem pessoas que seguem, que não é só do Democratas, mas de diversos partidos, até mesmo de esquerda, que têm total relação. Se houvesse movimentação nesse sentido, haveria consequências impactantes. Não notei do presidente Rodrigo Maia uma movimentação nesse sentido. Percebi até algumas movimentações no Congresso Nacional, mas não percebi movimentação nesse sentido, pelo contrário. Vi movimentação para avançar as reformas e consolidar, visando 2018, um projeto de Brasil. Buscar serenidade, calmaria institucional, que viabilize nossa transição para momentos mais serenos e de maior fortalecimento institucional.

Sobre essa questão de ser candidato em 2018 a deputado federal, seria pelo PRB mesmo? Os candidatos de lá são tradicionalmente ligados à Igreja Universal [do Reino de Deus]. Você passou a integrar os quadros da Iurd?

Roma: Não, eu não sou da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). Eu estou filiado ao Partido Republicano Brasileiro. Passei a integrar o partido graças a um convite do presidente Marcos Pereira. Mais da metade da bancada do PRB em Brasília não faz parte da Igreja Universal, o presidente do partido coloca justamente que o desafio do partido é evoluir como partido político e não como apêndice de uma agremiação religiosa. Minhas ligações e meu trabalho político não se dão misturados a esse quesito religioso, não faz parte do meu dia a dia de ação. O quesito estar no PRB se deu, portanto, a esse convite do Marcos Pereira, que no ano 2016 quase me alçava ao cargo de vice-prefeito no segundo mandato de ACM Neto. No final ficou quase eu e Bruno [Reis, do PMDB, atual vice] numa disputa severa e depois chegou-se ao entendimento final. Como você bem falou, eu até então ocupei os bastidores da política. Sempre fui uma pessoa que ficava nessa retaguarda administrativa, operacional, de articulação do prefeito ACM Neto. Isso foi evoluindo durante a administração. De fato, sempre gostei de política, desde muito jovem sempre atuei na universidade, já no colégio participava das eleições. Comecei muito jovem, aos 18 anos já trabalhava com o governador de Pernambuco; na sequência fui assessor do Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado em Brasília; depois retornei a Pernambuco, fui representante do Ministério da Cultura na região nordeste. De lá vim pra Salvador, a convite do embaixador Rego Bastos, para assumir a chefia do escritório da Agência Nacional do Petróleo em Salvador. Nessa época me aproximei mais do então ainda jovem candidato ACM Neto, porque já fazia parte da Juventude do Democratas, o qual presidia em âmbito nacional, e passamos a ter convivência muito estreita e passei a acompanhar toda a trajetória do prefeito ACM Neto.

Dentro do Democratas inclusive vocês eram de grupos não tão próximos. Como foi sair da condição de adversário para fiel escudeiro?
.
Roma: É… Na origem eu tinha obviamente ligação muito mais com os políticos de Pernambuco, com Joaquim Francisco, sobretudo Marco Maciel, que dedicava grande energia à política partidária. Mas o Democratas conseguiu, e isso é matéria pra uma longa conversa, criar um movimento muito forte de jovens dentro do partido. Isso graças a algumas parcerias inclusive internacionais. Na época havia o Instituto Frederich Known, que tinha parceria com instituto de estudos do então PFL. Havia o projeto PFL 2000 que visava justamente motivar novos candidatos, juventude realmente participando dentro do quadro partidário. Nós conseguimos com isso, através dessas parcerias internacionais, estruturar de forma muito planejada, inclusive muito responsável, com treinamento de pessoas, com cursos de capacitação, uma gama de geração de novos políticos. Começamos a fomentar e abrir a porta para essa renovação partidária, que eu acho que foi muito bem sucedida, hoje o Democratas tem vários quadros se destacando e pessoas que tiveram capacitação, estão ligadas ao ideário político. Eu fui uma das pessoas que coordenou todo esse processo. Como eu dizia, apesar das minhas ligações políticas mais estreitas com esses políticos pernambucanos, a exemplo de Joaquim Francisco e Marco Maciel, o movimento da juventude tinha uma outra dinâmica. A gente tinha, na verdade, uma força própria. Na primeira eleição, eu lembro que disputei com o filho do deputado Nei Lopes, do Rio Grande do Norte. Na verdade, havia consenso na juventude de que não era bom colocar filho de parlamentar, porque a gente precisa buscar oxigenar. Foi aí que eu tive chance, porque, na verdade eu tenho sim parentes que foram políticos, mas na época eu não era o filho de nenhum político exercendo mandato naquele momento. E isso viabilizou o ingresso de vários jovens, inclusive, o ingresso no partido do movimento estudantil, que era pequeno. Foi nesse cenário que eu conheci o ACM Neto e tivemos uma convenção em 1998 em Brasília e ele participou dessa reunião. Na sequência, ele teve talvez o primeiro ato político dele mais de revelação, que foi naquela vinda de Fernando Henrique [Cardoso, na época presidente] à Bahia, onde teve discurso que o senador [ACM, o avô] convidou que ele falasse em nome dos jovens baianos. Foi momento muito importante para ele sobretudo se afirmar como um talento jovem da política que vinha surgindo na Bahia, e desde então comecei a ter estreito laço com ele e os demais. Hoje continuo tendo tenho ligação com as pessoas. Visitei todos os estados do Brasil, estruturando a juventude do partido. A grande bandeira nossa eram os interesses dos jovens dentro do partido e nós conseguimos muitos avanços do Democratas, diferente inclusive de outros partidos que utiliza-se de chavões ou palavras à juventude, mas na verdade não trata realmente com o devido espaço, não apenas naquele período eleitoral. Os partidos querem juventude pra estar segurando bandeira no período eleitoral, mas não abre seus espaços para discussão durante os anos ímpares, que não temos eleições. O Democratas conseguiu estruturar esse movimento, desde cedo a gente passou a ter assento nas executivas nacionais do partido, com direito a voto. Todo um trabalho estruturado e isso só fez aproximar. Quando por outra coincidência vim morar na Bahia, passei a, já que tem essa ligação político-partidária com ACM Neto, passei a ter um estreito relacionamento. Ele estava iniciando o mandato dele, ele tinha 23 anos, em Brasília. Eu já conhecia bem Brasília, porque me formei em Direito em Brasília. Desde 1995, já morava em Brasília, conhecia essa movimentação. Então passei a acompanhar desde o início da sua trajetória e nos aproximamos muito, sobretudo por causa dessas discussões todas, trocamos ideia, e as conversas eram muito fluidas. Inclusive também com o próprio senador Antônio Carlos Magalhães, que sempre deu muita atenção aos jovens. Políticos muito mais experientes ficavam curiosos, porque, às vezes, o senador sentava ao meu lado pra se atualizar de alguma coisa, queria saber dos bastidores, como estavam os acontecimentos partidários, e demorava nas conversas comigo. O senador Antônio Carlos foi colega de Parlamento do meu avô, deputado João Roma, e ele sempre citava essas histórias de quando o Parlamento ainda era no Rio de Janeiro, e os políticos mais experientes ficavam curiosos: “Quem é esse jovem com quem o senador tanto conversa?”. Mas o senador dava essa abertura, estimulava a participação dos jovens. Não à toa ele foi reconhecido nacionalmente por lançar quadros técnicos na política e isso foi me cativando, esse espaço de diálogo. Terminei que conheci Roberta, minha esposa, comecei a namorar na época, depois saí da Agência Nacional do Petróleo, em 2004, e era eleição onde o César Borges foi candidato a prefeito de Salvador. A partir daí comecei a me enraizar na política baiana, acompanhando sempre essa trajetória com Neto, morte do avô dele, depois diversas campanhas que participamos. Aquela primeira campanha a prefeito de Salvador em 2008 foi também episódio muito importante. Depois esse último momento, que foi em 2012, onde ele conseguiu se eleger prefeito de Salvador e me chamou, apesar de nunca ter tido cargo no gabinete dele, pra assumir o gabinete da prefeitura e dentro da sua missão principal que ele colocou, ele me pediu que transformasse as ruas no seu melhor gabinete. E isso era um grande desafio, que partia da vontade dele de transformar essa solicitação. De fato ele mudou muito sua dinâmica de vida. Sua agenda desde o início do mandato em 2013 foi já nas ruas de Salvador e graças a essa postura de durante a semana ir pra rua, fazer inauguração, vistoria, acompanhando de perto os acontecimentos da cidade, acho que isso familiarizou muito mais ele com as ruas de Salvador e a população enxergou nele uma pessoa mais próxima, que realmente ouve e dá resultado gerencial - não apenas como político de grande expressão. Se comenta que o principal feito do prefeito ACM Neto foi resgatar a autoestima dos soteropolitanos e isso se deu sobretudo por essa disposição que ele teve desde o início da gestão em estar com seu rosto nas ruas quase todos os dias. A gente conseguiu arregimentar uma equipe que mesclou experiência e juventude, mas todos com sintonia. Juntava todos nas vans pra fazer essas visitas e isso criou sinergia muito boa na equipe e começou a dar resultado, quebrando inclusive algumas conversas mais burocráticas. Passou a não precisar mandar mais ofício pra determinado secretário solicitando uma coisa, quando passamos a utilizar o WhatsApp ou conversa realmente imediata, porque as coisas na administração municipal são muito dinâmicas. O município é de fato esfera administrativa que está mais próxima à população. Não é à toa que o senador Antônio Carlos falava que a experiência pública que mais deu satisfação para ele foi ser prefeito de Salvador, porque como prefeito você consegue realizar, perceber aquilo ali de forma muito rápida.


Voltando um pouquinho a João Roma… Pernambucanos e baianos têm uma rivalidade histórica. Por não ser um baiano nato, você acha que pode haver algum tipo de resistência à sua tentativa de eleição?
.
Eu recebi o título de cidadão soteropolitano na Câmara Municipal e o deputado Sandro Régis [do DEM] apresentou um título de cidadão baiano que foi aprovado na Assembleia Legislativa, mas ainda não marcou data para que eu recebesse essa titulação. Mas pode parecer paradoxo, mas às vezes me sinto até muito mais baiano do que muito baiano de nascença, e isso não quer dizer que eu tenha largado meus traços, sobretudo sentimentais, com o estado de Pernambuco, que de fato é minha terra natal e eu tenho uma grande relação de amor. Não renego a nada, sobretudo minha formação e experiência cultural e familiar com os amigos que eu tenho muito queridos no estado de Pernambuco, mas como eu disse quando recebi o título de cidadão soteropolitano, desde criança tinha ligação muito forte com a Bahia. Meu avô me contava muito sobre todo episódio de um ancestral nosso, o Padre Roma, que deu origem ao nome da família, o José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, que foi um dos principais líderes da Revolução de 1817, e que numa missão heróica aportou aqui em Salvador, foi preso pelas tropas do Conde dos Arcos, não delatou os líderes do movimento libertário brasileiro, que queria transformar o Brasil em República. Esse Padre Roma, pai inclusive do General Abreu e Lima, que lutou ao lado de Simon Bolívar na libertação das Américas e hoje batiza a refinaria Abreu e Lima, terminou que não cedeu às pressões, não delatou os líderes revolucionários baianos, e então foi condenado à morte e arcabuzado no Campo da Pólvora, em 29 de março de 1817. Após esse fuzilamento, os religiosos conseguiram resgatar os restos mortais do Padre Roma e enterraram ele na Igreja de Santana. Foi muito importante na geopolítica brasileira esse feito heróico do Padre Roma, tanto que acho que teve forte influência em todos os baianos, inclusive resultado no nosso Dois de Julho, porque a população percebeu que as pessoas que estavam ali sendo trucidadas estavam lutando por alguns ideais que todos faziam parte. Mas o governo, sobretudo aqui na Bahia, era muito forte. Aqui tinha sido o primeiro vice-reinado português, aqui estava a maior concentração das tropas portuguesas. Então a população começou a perceber que havia outros horizontes e isso clamava por República. Acho que isso estimulou muito o surgimento do Dois de Julho e no processo da Independência do Brasil o Sete de Setembro foi apenas uma declaração, a verdadeira independência surgiu no Dois de Julho. Você não tem país independente enquanto mantém tropas hostis no seu território. E querendo ou não, com méritos maiores ou menores, foi de fato a população nordestina que percebeu todas essas vocações e conseguiu impedir a permanência do Exército português no Brasil. Portanto, acho que foi muito relevante esse fato, essa Revolução de 1817, com a qual eu tinha tanta ligação transmitida de forma oral na minha família, através do meu avô. Sempre me senti muito próximo dos ocorridos na Bahia e tive a grande satisfação nesse ano de participar dos 200 anos dessa revolução e conseguir colocar uma placa no Campo da Pólvora em homenagem ao Padre Roma e aos demais heróis que aqui tombaram nessa revolução. Agora também o Padre Abel anunciou que no ossuário da Igreja de Santana vai ter também uma área de visitação, que lá está internado tanto o Padre Roma quanto Maria Quitéria, heroína do Dois de Julho. Lamento que nossa sociedade muito pouco valoriza nossa história, mas eu que valorizo muito a história e vejo essas ligações todas, me sinto às vezes, como disse, muito mais baiano do que muitos, porque dou atenção a todos esses episódios que ocorreram. Ademais disso, não vejo tanto esse rivalismo de hoje, vejo muita cooperação. Os laços de amizade, familiares e profissionais são muito mais fortes aqui em Salvador do que no Recife. Às vezes até vira uma brincadeira e aproxima minha pessoa de diversos outros personagens. E a Bahia mostra, por tradição eleitoral, que nunca valorizou esse currículo. Exemplo disso é o ex-governador Jaques Wagner, o próprio vice-governador João Leão, que é pernambucano e foi colega de escola do meu pai. Enfim, tantos outros, o próprio Bruno Reis, que nasceu em Petrolina. Os laços aproximam muito mais, a exemplo da família Coelho que era baseada em Juazeiro. Não há da minha parte nenhum incômodo com minhas origens pernambucanas, as quais não renego, mas eu sempre fui muito bem acolhido e consegui ter fruição de atividades muito positiva aqui na Bahia. Hoje tenho grande amigos e uma linda família, que me orgulha muito. Isso consolida minha participação aqui, sobretudo pelo dia a dia, pelo trabalho, pela energia que a gente dedica por essa cidade há tanto tempo. Acho que as pessoas observam muito mais isso, seu dia a dia de ação do que de fato o certificado de origem do personagem.

Na primeira administração de ACM Neto, você fazia parte da articulação política dele. Esse ano você continua, mas com a chegada de Bruno Reis, ele também passou a cuidar dessa parte. Como ficou esse equilíbrio de forças, já que articulação é crucial para candidatos em potencial, como vocês?
.
Tem sido da forma mais harmônica possível. Primeiro porque há convivência e amizade entre nós, apesar de estar em partidos distintos, todos fazemos parte do mesmo núcleo, a ligação com a liderança do prefeito ACM Neto. Bruno Reis há 20 anos acompanhava Neto e eu há mais de 15 anos. Já durante a campanha eu dividia com Bruno Reis o escritório da campanha da eleição do ano passado, era compartilhado, eu e ele, todas as decisões dos candidatos a vereador junto ao aparato de comunicação. Nós de fato lideramos o escritório da campanha do ano passado, agenda do prefeito, tudo isso. Hoje foi muito bem vinda essa chegada do Bruno na prefeitura, porque nossa sala hoje é lado a lado e por essa sintonia, às vezes só com o olhar, já imagino o que o Bruno está pensando. De fato temos hoje convivência gigantesca, trabalhamos lado a lado, muitas vezes a maioria das reuniões fazemos em conjunto. É importante inclusive uma presença de Bruno para alguns contatos, que, por exemplo, com essa possibilidade da minha candidatura pode ocorrer algum melindre, algum ciúme de algum parlamentar. Sempre nesses casos me reservo para evitar qualquer possível tipo de comentário nesse sentido, porque existe a possibilidade da minha candidatura bem latente a deputado federal no ano que vem, mas o principal projeto nosso é avançar com o projeto do prefeito ACM Neto. Para tanto a gente precisa ter muita harmonia na base, que hoje é muito ampla - diferente de 2012, quando nós tínhamos poucos partidos aliados. Bruno é sem dúvida a pessoa que talvez mais conheça Salvador do ponto de vista geopolítico, então tem visão muito precisa das ruas. Tem sido somatório essencial. Sem dúvida ACM Neto tem agora no segundo mandato um gabinete muito mais forte, porque de fato a vice-prefeita não colaborava muito no dia a dia das ações, não tinha proximidade conosco. Já Bruno tem total, relação de amizade e profissional. A gente tem pensamento próximo de atuação política.



Bruno Reis “não vê a hora de sentar na cadeira do prefeito” ou “não pensa em outra coisa”. Qual a melhor opção que define o momento político do prefeito e do vice?
Roma: A expressão que ele só pensa nisso foi do próprio prefeito ACM Neto, não foi minha. Eu reafirmei isso numa entrevista que dei na Rádio Metrópole e utilizaram de forma que não foi tão positiva, como se eu estivesse dizendo que a cabeça de Bruno era só pra isso. Eu acho que na política é natural, como em qualquer carreira, você atingir espaços superiores. Bruno há 20 anos acompanha o prefeito ACM Neto, é um político mais do que conhecido dos baianos e vem se preparando a cada dia para poder ter voos mais altos, o que é natural. Imagine que o próprio ACM Neto lá com seus 23 anos foi entrevistado e disseram “Você pretende ser candidato a presidente da República?” e ele disse sim. Ou seja, é natural que qualquer pessoa que entre em determinado ramo queira atingir o topo da profissão. Quem está na política almeja naturalmente um dia virar presidente da República. É muito natural que isso ocorra e eu acho que isso, na verdade, não tem implicação maior. Pelo contrário, dá conforto para o ACM Neto, possível candidato a governador, porque ele tem para sucedê-lo uma pessoa que tem total sintonia e ligação com ele, pode ter confiança nessa pessoa; está em sintonia com a administração não só porque participou das eleições, mas porque já foi secretário, participa de todas as reuniões e decisões mais importantes; começou a ver também todas as dificuldades que o município precisa atravessar, questões de arrecadação, gerenciamento. Bruno é a pessoa que está preparada para assumir e é natural sim que ele esteja com isso em mente, se preparando para eventualidade de suceder o prefeito ACM Neto na gestão da prefeitura de Salvador. Vejo isso como ponto forte de ACM Neto, poder ter tranquilidade em atender à solicitação dos baianos e alçar voos mais altos, uma vez que ele tem retaguarda realmente capacitada.

Recentemente o ex-pugilista Reginaldo Holyfield foi nomeado gestor de projetos no Gabinete do Prefeito e você é chefe do gabinete. Você tem dificuldade de entender o que Holyfield fala?
.
Roma: Não. Me entendo muito bem com Holyfield e na verdade acho que a administração municipal ganhou muito com a vinda de Holyfield e lhe explico. Gostaria que isso fosse bem colocado, porque às vezes pode dar uma noção de apadrinhamento político ou outros até utilizam o viés de preconceito da origem dele, talvez até alguma dificuldade de dicção que Holyfield tenha. A vinda de Holyfield, apesar de ele estar num cargo do Gabinete do Prefeito, essa estrutura que ele faz parte coordena toda a parte das ruas da cidade, através das prefeituras-bairro. E a função principal de Holyfield tem sido abrir as portas das comunidades para que nós possamos desenvolver os trabalhos de esporte que a prefeitura vem fazendo. Ele é um campeão nacional, baiano que por si só já dá bastante notoriedade pra sua figura. Ele é um estímulo pra muitos jovens, pessoa que tem muito valor. Queimou-se todo porque salvou seus parentes. Ele é figura que está muito em sintonia com as ruas de Salvador e o prefeito ACM Neto deu exemplo tanto de resgatar e valorizar personagens do esporte na cidade como também facilitar com isso o desenvolvimento e estímulo no sentido do esporte. Acho que essa questão de Holyfield foi explorada de forma equivocada no quesito pela nomenclatura do cargo, como “gestor de projetos”. Talvez ele não esteja capacitado para ser gestor e de fato essa não é a atividade que ele está exercendo, mas acho sim que foi gesto positivo do prefeito ACM Neto chamar o Holyfield e ele tem dado uma boa contribuição para o desenvolvimento do esporte em nossa cidade e para o estímulo das crianças, das pessoas menos favorecidas nas comunidades, que às vezes passam dificuldade muito grandes e podem enxergar em Holyfield um mecanismo. Se Holyfield conseguiu, com a precariedade que ele tinha, ser campeão nacional, isso também por si só já serve de exemplo pra que a gente possa desenvolver e cultivar uma vida mais saudável.

COMMENTS

Nome

ADEB,1,Bahia,347,Brasil,424,Brasília,1,Camaçari,1,Cláudia Wild,3,Colunista,2,Colunista Jovem,3,Condeúba,5,D'jane Silva,6,Denúncia,21,des,1,Destaque,853,Economia,35,Educacao,10,Elizeu Rosa,19,Entretenimento,58,Esporte,18,Eunápolis,19,Feira de Santana,30,Governador Mangabeira,10,Ilhéus,21,intretenimento,5,Itabuna,23,Jequié,76,Lauro de Freitas,4,Mundo,84,Noticias,1146,Politica,551,Porto Seguro,15,Presidente Tancredo Neves,5,Salvador,428,Saúde,12,Segurança Pública,3,Teixeira de Freitas,22,Vitória da Conquista,33,
ltr
item
Âncora News: Bahia Notícias Entrevista João Roma
Bahia Notícias Entrevista João Roma
http://www.prb10.org.br/wp-content/uploads/2016/06/joao-roma-vice-prefeito-salvador-acm-neto-foto-ascom-03-06-2016.jpg
Âncora News
http://www.ancoranews.net/2017/07/bahia-noticias-entrevista-joao-roma.html
http://www.ancoranews.net/
http://www.ancoranews.net/
http://www.ancoranews.net/2017/07/bahia-noticias-entrevista-joao-roma.html
true
563360971225838415
UTF-8
Todas as publicações Não foi encontrada nenhuma postagem VER TUDO Mais informação Resposta Cancelar resposta Delete Por Home PAGES POSTS View All RECOMENDADO PARA VOCÊ LABEL ARQUIVO SEARCH TODAS AS PUBLICAÇÕES Não encontrou nenhuma correspondência de pós com seu pedido Voltar Início Sunday Monday Tuesday Wednesday Thursday Friday Saturday Sun Mon Tue Wed Thu Fri Sat Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez just now 1 minute ago $$1$$ minutes ago 1 hour ago $$1$$ hours ago Yesterday $$1$$ days ago $$1$$ weeks ago more than 5 weeks ago Followers Follow THIS PREMIUM CONTENT IS LOCKED STEP 1: Share. STEP 2: Click the link you shared to unlock Copy All Code Select All Code All codes were copied to your clipboard Can not copy the codes / texts, please press [CTRL]+[C] (or CMD+C with Mac) to copy