Qual o futuro da vida? Os 50 anos da pauta ambiental

O discurso continua longe da prática





Desde o ano de 1972 o mundo pauta, com preocupação, as relações humanas com o Ambiente. Estocolmo, em 1972 e Brasil, em 1972, foram sedes de grandes discussões mundiais. Na Eco- 92 muito se debateu, protocolou, avançou, acordou em propostas para o Bem-viver coletivo na Terra.

Mas o que, de fato, dos discursos tão bem elaborados, foi colocado em prática?

Ouvi o Gabeira falar: “A destruição ambiental avança em um ritmo industrial, e a resistência em um ritmo artesal”.

Fato é que a vida está em agonia diariamente, planeta afora.

Esforços da Ciência, do conhecimento cotidiano, de saberes de povos tradicionais, de experiências humanas, ao longo dos últimos 50 anos, têm sido exaustivamente expostos ao mundo. São alertas, comprovações, informações que poderiam estar a serviço da vida, negligenciada. E a morte segue, banalizada!

O que observamos ao nosso redor?

Rios poluídos, mares cheios de plásticos, florestas devastadas, manguezais como cemitérios de galhos mortos, sem sustentação das fontes de alimentos, Indígenas judicializados, fome alastrada, insegurança alimentar, quilombolas sem acesso a água para plantios tradicionais, Mata Atlântica destruída, Caatinga em acelerada desertificação em ameaça à produção de alimentos e qualidade de vida. É risco, insegurança, doenças, miséria, injustiça, por todo canto.

A expressão “sustentabilidade” virou greenwashing como instrumento político empresarial, para discurso marketeiro sujo, enganoso. Minha pesquisa acadêmica, 2010-2013, FACOM-UFBA- UFBA, foca o “Proativismo Jornalismo Socioambiental X Discurso Marketeiro Insustentável- Greenwashing “. Um alerta sobre como o discurso anda longe da prática..A realidade é o termômetro.

O Clima, como bem pautado, mudou seus ciclos, com a atuação criminosa de humanos sobre os sistemas naturais. As águas das chuvas, antes de chegarem ao mares, aos rios, escorrem com força destruidora a devastar moradias, em áreas inseguras. As mortes somam números assustadores, distantes das histórias de vidas, desumanizadas, Brasil, planeta afora.

O sonho do transporte limpo, como bicicletas, cresceu como Mercado/venda/estímulo ao consumo, num ambiente que mata, e muito, em trânsito caótico, sem estrutura, violento, em espaço mal educado. Esta semana teve manifestação gigante, em Salvador, Bahia, contra a morte violenta de jovem ciclista. ..E penduraram uma réplica da bicicleta no alto de um poste, em praça pública.

Animais invadem as casas, expulsos de seus habitats naturais. Assustados, incomodados, também assustam. As moradias avançaram espaços com força, sem planejamento, sem cuidados preventivos, em desarmonia com o Ambiente.

Ao longo dos últimos 50 anos, pelo menos, as grandes convenções sobre políticas de vida e uso de recursos naturais, foram bem formalizadas, em leis, mas não cumpridas, praticadas, a contento.

Os aterros sanitáriaos, lixões, continuam por aí, a céu aberto, como ambiente de sobrevivência de catadores, sem o devido valor como agentes sanitários ambientais.

Entre os Rs de Racionalizar, Recusar, Reduzir, Repartir, Repensar, Reaproveitar, Recriar, prevaleceu o R de Reciclar, num ambiente de estímulo ao consumo, como plástico, alumínio..

Nesse mercado, sem prática empresarial da política reversa, o conceito de resíduo anda longe do limpo e “lixo” continua como expressão suja.

A necessidade do consumo responsável, sem rastros sujos, para a construção de uma cadeia de produção, consumo e descarte harmoniosa de ponta a ponta, não tem espaço na pressa capital. O consumo é ávido, descartável.

O agronegócio é commoditie para alimentar uma Economia suja, criminosa, venenosa. Doenças preveníveis se espalham, aos ventos. E as filas nos SUS se agigantam, com mortes indignas. Não é só morrer. É como morre!

As conferências internacionais da ONU pautam o Meio Ambiente e Desenvolvimento como urgência de se buscar um novo caminho para a humanidade. Mas o discurso continua longe da prática.

Protocolos como o de Quioto, em 1997, o Acordo de Paris, em 2015, a Convenção da Diversidade Biológica, no Brasil, (base para o Protocolo de Nagoya) “com regras claras e inéditas de proteção das mais diversas formas de vida”, fazem barulho, sem mudança real.

Na Rio-92 direitos e legados de povos tradicionais, como indígenas, reforçaram a necessidade de proteção das florestas. E a Terra Ianomâmi foi homologada, como símbolo de garantia indígena contra invasões dos garimpeiros. Os fatos contrariam as intenções e o que estamos a observar são disputas mortais, em territórios “sagrados”.

Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, os rumos da vida sinalizavam em duas importantes direções: a proteção ao ambiente e aos direitos humanos. Ameaças de energia nuclear, uso do petróleo, para “desenvolvimento” a qualquer custo, não pareciam caminhos inteligentes, sensatos. E países mais atentos, como a Alemanha, berço do Ambientalismo, até tenta readaptações, com uso de novas tecnologias e fontes de energia ” limpas”. Mas o capital tem interesses diversos, planeta afora.

A pandemia da Covid-19 (sem tempo para acabar) deixa ricos mais ricos, pobres mais pobres.

A Guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro de 2022, e que tem fontes de energia como petróleo/gás, no cerne da disputa, além das perdas humanas e histórias irreparáveis, já somam prejuízos financeiros em cerca de 600 bilhões de dólares, em 100 dias de confrontos.

A pergunta continua: Qual o valor da vida? Que vida estamos a querer?

Fonte: bahia.ba

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